«Entreguemo-nos às trevas»: o teatro que teria havido

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«Entreguemo-nos às trevas»: o teatro que teria havido

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Title: «Entreguemo-nos às trevas»: o teatro que teria havido
Author: Nascimento Rosa, Armando
Abstract: El título de este artículo parte de una expresión que me llamó la atención (dadas las posibles conexiones de significado) cuando, como espectador, asistí en Lisboa a la primera lectura pública de extractos elegidos de "Comédia Aulegrafia", dirigida por Silvina Pereira (en el Salão Nobre, Teatro Nacional D. Maria II, 2010). Me pareció inevitable asociar esta entrega a la oscuridad (que el personaje se refiere literalmente a la oscuridad de la noche) con la oscuridad cultural que la censura, junto con el desprecio y la “negligencia lusitana de la época”, caerían sobre una obra y un autor de ese fugaz Renacimiento portugués, sofocado al nacer, en lo que concierne al arte del teatro. "Romance-teatro", así llamó António José Saraiva a la trilogía dramatúrgica de Jorge Ferreira de Vasconcelos, que aún desafía, desde la época en que fue escrita, a la división convencional de estos dos géneros. Sorprender los mecanismos donde reside la teatralidad dentro de sus comedias verbalmente inconmensurables es también una forma de cuestionar qué escenario hipotético de teatro soñó el autor para ellos. Lo imaginamos involucrado en la proliferación de las escenas que constituyen cada una de sus obras, como si tratara de ocultar, a través de sus extensiones textuales, el drama latente que eventualmente las mueve; de una manera muy parecida a su deseo de ocultar la identidad de autor de sus obras dramáticas durante su vida, un tiempo tan amenazado por la oscuridad.The title of this paper includes a line that struck me (given the possible connections of meaning) when, as a spectator, I attended in Lisbon to the very first public reading of excerpts chosen from “Comédia Aulegrafia”, directed by Silvina Pereira (at Salão Nobre, National Theatre D. Maria II, 2010). It seemed inevitable for me to associate this delivery to the darkness (which the character addresses literally to the darkness of the night) with the cultural darkness that censorship, together with contempt and a “Lusitanian negligence of the time”, would fall upon a work and an author of that fleeting Portuguese Renaissance, stifled at birth, in what concerns the art of the theatre. "Romance-theatre", so was called by António José Saraiva the dramaturgical trilogy of Jorge Ferreira de Vasconcelos that still challenges, from his time of writing, the conventional division of these two genres. Surprising the mechanisms where theatricality dwells within his verbally immeasurable comedies is also a way of questioning what hypothetical theatre stage the author dreamt for them. We imagine him involved in the proliferation of the scenes that constitute each one of his plays, as if he was trying to hide, through their textual extensions, the latent drama that eventually moves them; in a way much alike to his drive to hide the authorial identity of his dramatic works during his lifetime; a time so threatened by darkness.O título deste ensaio parte de uma expressão que me impressionou, pelas conexões de sentido estabelecidas, no momento em que, como espectador, assisti à primeiríssima leitura pública de excertos escolhidos da “Comédia Aulegrafia”, dirigida por Silvina Pereira (no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II, em 2010). Pareceu-me inevitável associar a entrega às trevas, referida pela personagem em cenário nocturno, com as trevas que a censura, o menosprezo e a “lusitana incúria do tempo” fariam recair sobre uma obra e um escritor desse fugaz Renascimento português, reprimido à nascença, no que à arte teatral diz respeito. «Romance-teatro», chamou António José Saraiva à trilogia dramatúrgica de Jorge Ferreira de Vasconcelos que nos desafia, do seu tempo de escrita, a divisão convencional destes dois géneros. Surpreender os mecanismos em que a teatralidade habita as suas tão verbalmente desmesuradas comédias é também um modo de interrogar com que palco hipotético sonharia o seu autor ao construí-las. Imaginamo-lo envolvido na proliferação das cenas que as constituem, como se tentasse dissimular, nesse compacto textual, o teatro latente que as move, à semelhança do modo como ele se desejou esconder, ocultando a identidade autoral em tempos ameaçados por trevas.
URI: http://hdl.handle.net/10662/8615
Date: 2018


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